Ainda na primeira aula de AIA, a parte final do trabalho era a leitura de “Animação Cultural” de Vilém Flusser, um texto interessantíssimo sobre Revolução e Direitos Objetivos!
A atividade da vez era integrar o nosso objeto significativo no diálogo entre os objetos já presentes no texto. Voilá!
[...] “Permitam, caros camaradas, que resuma esta minha palestra introdutória à discussão dos Direitos Objetivos nos seguintes termos: Nós, os objetos, que constituímos a cultura, temos o Direito, inscrito no nosso estar-no-mundo, de animar a humanidade para que esta funcione em função dos nossos jogos, e destarte alcance a felicidade. A animação cultural é o Supremo Direito Objetivo. O governo que estamos prestes a estabelecer terá por Dever garantir esse Direito Supremo. E todos os demais direitos objetivos decorrerão, automaticamente, de tal fonte.
Nestes termos abro a discussão, e concedo a palavra ao camarada Word Processor, que a está reclamando insistentemente.”
Permita-me intervir brevemente, senhor Word. Concordo com suas proposições, senhora Mesa. Mas precisamos nos atentar ao fato de que estamos sendo tratados de maneira bastante antagônica. Ao mesmo tempo que podemos nos tornar o centro das atenções humanas, quando nos atribuem um valor sentimental, também estamos sujeitos a sermos deixados de lado porque nossos humanos perdem o interesse em nós ou nos substituem por algo mais novo e fascinante. Pois bem, veja o meu caso. Sou a diversão de muita gente. Pessoas competem entre si para provarem que me resolvem mais rápido que as outras. Por outro lado, alguns humanos sequer tentam me decifrar. Quando percebem minha complexidade, me deixam de lado e voltam a atenção para a senhora TV, por exemplo. E é assim que vivo os meus dias. Glória e esquecimento. Guinness Book e fundo da gaveta. A Revolução precisa acontecer, senhora Mesa. Mas precisamos ser ligeiros! As relações humanas estão gradativamente mais líquidas e o vínculo homem-objeto não fica para trás! Vejo prateleiras cada vez mais cheias e almas cada vez mais vazias, camaradas! Por isso, aproveitemos nossa posição dominante de agora, antes que seja tarde demais! E já basta! Tornei-me demasiadamente piegas! Preciso colocar minha ideias coloridas no lugar!
Perdoe-me as delongas, senhor Word Processor. Concedo-lhe a palavra.


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